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26/10/2018Você sabe como aumentar o rendimento no campo com atitudes sustentáveis?

Na maioria das propriedades brasileiras a adoção por tecnologia se deu e ainda se difunde através das máquinas agrícolas que trazem embarcadas consigo uma série de plataformas capazes de realizar inúmeras funcionalidades de campo, facilitando o trabalho, aumentando a eficiência operacional e gerando dados e informações que podem ser manipuladas para a tomada de decisão em tarefas atuais e futuras.

Em contraponto a isso, na grande maioria dos casos, algumas premissas para operações adequadas e eficientes, contemplando a conservação do solo e o retorno econômico acabaram sendo suprimidas, invertendo a lógica da estruturação de uma propriedade sustentável, ou seja, a adequação da propriedade e dos campos às máquinas que chegaram para aumentar o rendimento operacional, sendo que o correto seria as máquinas serem dimensionadas para as características da propriedade e sua aptidão produtiva.

Com este pensamento, de aumentar a capacidade operacional das máquinas, uma das práticas mais comuns observadas rotineiramente nas propriedades é o chamado plantio “morro acima, morro abaixo”, ou seja, no mesmo sentido da declividade do terreno.

Fonte: Embrapa Trigo

 

Esta prática é extremamente nociva ao solo e as culturas estabelecidas nestes campos, pois quando ocorrem precipitações pluviométricas (chuvas) acima do normal é comum verificarmos cenas como na imagem acima. Quando estes efeitos ocorrem, muito mais do que desanimar o produtor, existem perdas enormes de solo fértil, matéria orgânica, biodiversidade, fertilizantes, sementes, hora máquina, entre outros. A medida em que as atividades produtivas são intensificadas, os problemas são proporcionalmente potencializados, pois o solo destes campos ficam muito mais tempo expostos as precipitações pluviométricas e muito menos tempo com cobertura vegetal para amenizar os efeitos do escorrimento superficial.

O correto manejo das áreas, independentemente do grau de declividade, é realizar as operações mecanizadas no sentido transversal ao declive, tornando a linhas de semeadura e as fileiras de plantas como barreiras ao livre escoamento da enxurrada, podendo aumentar em mais de cinco vezes a infiltração de água no solo. Comparada à semeadura "morro acima, morro abaixo" a semeadura em contorno pode reduzir em mais de 50% as perdas de água e de solo por erosão, afirma o pesquisador da Embrapa Trigo, José Eloir Denardin.

Foto: Airton Polon

 

Para realizar operações em contorno, ou em nível, somente “no olho” torna-se desgastante para o operador e ineficiente no contexto operacional, porém existem ferramentas no mercado que auxiliam a desenvolver as operações com muita eficiência, proporcionando confiabilidade e viabilizando resultados positivos reduzindo os impactos das enxurradas.

Dentre estas ferramentas podemos citar o uso do piloto automático que trabalha de maneira autônoma em rotas definidas criadas em softwares computacionais a partir da análise altimétrica do terreno, as chamadas “linhas de trabalho”. Estes arquivos são utilizados e difundidos para o preparo do sulco, plantio e colheita da cana de açúcar, mas nas culturas anuais ainda não é nada comum.

Outra ferramenta que está chegando no mercado é o FSNível. Trata-se de um dispositivo eletrônico simples colocado na cabine do trator que, por meio de sinais luminosos indica a posição da máquina e informa ao operador o caminho para conduzir o trator em nível na lavoura. Trata-se de um equipamento com preço acessível em comparação aos equipamentos sofisticados, pois trabalha como um sistema “barra de luz” sem necessidade de GPS e/ou piloto automático.

FSNÍVEL: Equipamento eletrônico para operações em nível

 

 

Este equipamento foi desenvolvido para facilitar as operações, principalmente as de plantio, onde as linhas da plantadora/semeadora ficam dispostas transversalmente ao declive do terreno, facilitando a retenção de água no solo e minimizando os efeitos das enxurradas. Segundo o professor Vilson Antônio Klein, “efetivamente, nossos solos já estão com problemas de infiltração, sobra água que sai da lavoura e arrasta nutrientes e pesticidas, acarretando problemas de poluição ambiental e perda financeira ao agricultor”.

De acordo com José Eloir Denardin (Embrapa Trigo), "o correto manejo do escoamento superficial da água pode gerar economia de 40% ao ano com fertilizantes, evitando a perda de nutrientes e garantindo a disponibilidade de água para as plantas nos momentos mais críticos". “Sendo assim, a semeadura em contorno é ainda uma das práticas mais importantes para controlar a erosão, sendo até mesmo mais eficiente que a própria cobertura de solo”.